terça-feira, 21 de setembro de 2010

Foi dito...




                   (só pra descontrair)



Tô preparando um texto, mas antes queria vir aqui e palavrar um pouco sobre outra coisa.


Um dia falaram que:


"De médico e louco, todo mundo tem um pouco"


Posso mudar para:


"De médico e BIPOLAR, todo mundo tem um pouco" ??


Se me permitem, refleti muito sobre isso, ou apenas fui "vivendo e aprendendo", ou simplesmente me conhecendo, mas constatei algo: sou bipolar.


Vivo picos de alegria e de tristeza num mesmo dia.
Às vezes, numa mesma hora, ou numa mesma conversa.


Incrível. 


Comecei a observar: NAO sou SÓ eu! Várias pessoas objeto da minha observação demonstraram sinais óbvios disso. 


Já devem ter reparado: quem vem falar com vc no msn, todo carinhoso, e 5 min depois tá te evitando, ou inventa uma desculpa pra não poder falar na hora..



Ou quem te procura DESESPERADAMENTE num dia, e no outro nem lembra que vc existe.


E quem, depois de uma brincadeirinha sem graça q vc fez, fecha a cara e não fala mais? Oiii, néh?


Chefes. São mestres nessa arte. Uma hora te elogiam, mas deixa vc atrasar 5 min pra entrega do relatório?! Vixi, sai de baixo!


E os bipolares do trânsito: colam na sua traseira, jogam farol alto, vc acha q vao passar por cima do seu carro. Vc dá passagem. 3 min depois vc passa deles como quem passa de um retardatário..


Enfim, eu descobri que a racionalidade e o sentimentalismo vivem juntos. Aquela muitas vezes pode ser só uma parede de proteção. Eu pago de racional. E eu sei que sou mesmo, muito. Mas quer saber? As coisas simples me movem também. Um sorriso, um olhar, um beijo, um abraço, um sim, um não, um "mimo" (como diria uma amiga, brega)...enfim.


As coisas simples também são capazes de cativar. E eu as sigo. Se achar outras coisas "cativáveis", to pulando de alegria. Se não, fico triste. Mas só por um tempinho. Daí volto a ser racional.


Um dia aprofundarei essa bipolaridade. Mas, se forem perceber, ela nao é de todo ruim.


Termino com a frase de Leopold Nosek: 

  
"A vida é para cima e para baixo. A oscilação é que dá prazer. A linha reta no eletrocardiograma é a morte ” 


Acho que ele concorda comigo. Não é ruim. Talvez tenha de ser dosada, pq afinal de contas, se passar de 300 bpm já era!

sábado, 11 de setembro de 2010

A SAGA DO CONCURSO



Gente, tinha esquecido da saga que é fazer concurso! Vc quer virar concurseiro? Entao se prepare!


1-  Eu fiz a prova twittando.


2-  Tinha 3 bedels (ou bedéis?) na minha sala. TRÊS!! CONCENTRAÇAO = ZERO!


3-  A moça do saquinho de jujuba, nao satisfeita em fazer BARULHO com ele, ainda me pára pra olhar as calorias! ¬¬


4-  Chega uma hora que TODO MUNDO sente vontade de lanchar junto, quase estendi a toalha pro pique-nique (pic nic?).



5- Pensando: "Moço, nao era nem pra vc ter recolhido os saquinhos dos celulares, quanto mais entregá-los DURANTE A PROVA!!" #OREIASECA


6- "É lanchinho que tem nesse saquinho, moço? Entao NAO, valeu!"


7- O q dizer das frases motivadoras do CESPE a serem transcritas pra folha de resposta? "A parte mais importante do progresso é o desejo de progredir" ok. Tô bem mais feliz agora, já que desejo progredir!


8- Acho que nem preciso falar do salto alto..pq o POC POC POC já diz tudo... #deviaserproibido


9- Pensando: "O ar condicionado vai alçar vôo quando acabar o tempo, só pode!!"


10- NOTA(estilo post it): Descobrir o que me causou dor de barriga/gases:
a)nervosismo
b)Mc Donalds
c)chocolate
d)Red bull
e)N.d.a.


11- Textuando eu pensava em textuar...


12- A música que ficou na cabeça pelo menos nao foi Lady Gaga - Telephone, foi a do SaiaBamba - Sair pro samba (eu acho)


13 - Até na bexiga de homem da menina que usou o banheiro do lado eu pensei. 2 min fazendo xixi TORRENCIAL!! caracas!


14 - Preciso falar das bolinhas pra marcar?? adicional de insalubridade por fazer prova por favor!


15 - Esqueci de falar pra coleguinha da frente que eu ODEIO cofrinhooo!! ¬¬


CONCLUSAO 1 - Apesar de tudo, até que administrei bem o tempo de prova.


CONCLUSAO 2 - Melhor do que fazer prova no sábado a tarde INTEIRA é fazê-la pensando nos tweets que virao! CONCENTRAÇAO = ZERO!


CONCLUSAO 3 - Tem muita Natália bonita por aí...rs.#apostemnelas


Nunca passou por isso? Espero que nunca precise! Mas se for passar, prepare-se!


Vai sim ter alguém que vai fazer barulho com um saquinho de balas, alguém com o sapato barulhento, alguém com um cofrinho HORRÍVEL pra te distrair e te dar nojo. Todo mundo vai ter o seu nome e vc vai perceber que vcs de nomes iguais lancham na mesma hora. Vai ter um bedel que nao sabe o que fazer lá só pra te irritar! E nao reclame das bolinhas, poderia ser pior: tem umas num formato de retângulo com os cantos arredondados. OI NEH!

Torça para nao ter dor de barriga, torça pra que a música que vai ficar na sua cabeça ser boa e pra que a frase motivadora da banca examinadora REALMENTE te motive!!

No mais, que tudo pelo menos vire um texto! Fica a dica!





terça-feira, 7 de setembro de 2010

A dor que atrai




Pior do que algumas coisas é ver que MUITAS pessoas não estão nem aí pras dores dos outros. Não interessam-se pelas lágrimas derramadas ou engolidas. Não se dão ao trabalho de pedir perdão, porque nem chegaram a errar, pensam as suas mentes vazias. E passam a vida arrasando corações, fazendo promessas à torto e à direito, magoando corações que lhe foram entregues, desenhando cicatrizes profundas em quem só lhe fez bem. E mesmo que tivesse feito o mal, não to dizendo que é mal por mal, bem por bem.


Essas pessoas não entendem o impacto que elas causam no outro, porque no geral elas não vivem esse impacto. Elas são cheias de si, tão auto-suficientes que endureceram o coração, sustentando um personagem que nunca existiu: o do rei absoluto, que não precisa de ninguém, mas “é precisado” por todos.


Normalmente eu fujo dessas pessoas. Elas muito provavelmente não me acrescentarão nada, e ainda sugarão as minhas poucas forças. E conviver com quem suga suas forças não dá, eu já tentei. Chega uma hora que você precisa um pouquinho da força dela pra transformar em grandes forças em você, mas mesmo assim ela ainda vai sugar o seu saldo negativo de forças.


Na verdade eu sou uma trouxa por deixar me sugarem. As relações das forças devem ser de troca, bilaterais, sinalagmáticas, como diria uma amiga que gosta de parecer inteligente; ela é. E sabe disso, isso que a torna chata.



O problema é que ao conhecer uma pessoa interessante eu percebo, ainda que inconscientemente, o seu valor. Por algum motivo, algo bem dentro de mim pisca e fala: ela tem algo a te ensinar. Nessa certeza, uso de toda a minha simpatia e charme(leia-se, sorriso simpático) pra conquistar a atenção e quem sabe a amizade, ou ainda, o amor, o respeito...E sem querer descubro que essas pessoas estão num momento frágil da vida.


Daí já era. Se tem algo que me “atrai” é essa fragilidade, essa vulnerabilidade momentânea. Me atrai porque eu sou uma pessoa “dada”, com tanto amor e carinho no coração pra dar, que só uma pessoa nessa situação reconheceria o valor do meu abraço sincero, penso eu. Na verdade, provavelmente eu só tive a oportunidade da aproximação porque a pessoa estava fragilizada, e viu em meus olhos o que vive no meu coração. Porque se elas estivessem “em sã consciência”, cheias de si, olhariam para mim e não veriam nada de especial. Não passo a imagem de poder que elas tanto querem. Por isso gosto quando elas estão vazias, e me esforço para que se encham de novo, e sigam em frente. Geralmente elas se enchem e me esquecem. Mas como diria o grande poeta, deixo as coisas que amo livres; se voltarem é porque as conquistei. Não lembro as palavras certas, mas a idéia é essa.


E assim eu vou vivendo e convivendo com as dores da vida. Quase sempre disposta a me entregar por inteiro a uma amizade, a um amor, apesar de toda a minha racionalidade.


Vou explicar uma coisa: meu cérebro sempre filtra as pessoas. Enxerga os prós e contras de me aproximar delas. O problema é quando algumas poucas passam por esse filtro. É como se tivessem a autorização de entrar na minha vida e fazerem o que der na telha. Algumas pessoas passam tempos e tempos no filtro. Algumas passam quase que instantaneamente. A questão é: eu me lasco quando elas passam pelo crivo. Eu me entrego, eu me dou por inteiro, a pessoa tem de mim o que quiser. A racionalidade é usada agora para pessoas novas, porque as que já passaram, me têm.


De vez em quando eu preciso sugar forças de alguém também. Normalmente sugo menos do que sugam de mim, mas para não deixar o outro sem forças, prefiro transformar o pouco em muito.

Tá, tentando concluir, com esse papo de vampiro sugando aqui e ali, quero dizer que é possível também achar força na dor, no fracasso, na desilusão. Vixi, como dá. A dor do amor não correspondido me faz querer ser tão boa a ponto de uma dia a pessoa me querer muito, e perceber que não vai me ter. A dor da traição, tensa de lidar, faz o filtro do meu cérebro ficar mais acurado, ajuda a perceber as falhas antes de quebrar a cara. A dor da saudade me faz valorizar muito mais os momentos felizes, e quase extinguir os tristes. A dor de perder alguém também me faz uma pessoa melhor, como se o ente querido estivesse me olhando a todo momento e eu não posso decepcioná-lo. A dor do não? Vixi, essa virou moleza. Tô muito mais acostumada ao não do que ao sim.

Já a dor de magoar alguém, de fazer alguém chorar, essa é uma das poucas que me diminui, me retrai, arranca um pedaço de mim. E pra essa não tem remédio. Esquecer? Impossível. Essas dores a vida ainda vai me ensinar a lidar.

Enfim, a vida é sim cheia de dores. Mas também é repleta de alegrias, sorrisos, paz. Deus não permite dor maior do que possamos suportar. Ele sempre providencia a válvula de escape, e nos ergue pra seguirmos em frente.

Um bom feriado a todos. Feliz Dia da Independência, Brasil!

Algumas dores da vida









Sabe quando você corre a casa inteira pra atender o telefone e dá aquela topada no pé da mesa? Ou então quando bate o cotovelo e dá aquele choque? Nossa, prender o dedo na porta do carro? Vários nomes passam pela cabeça, alguns acabam saindo, outros não. O importante é a constatação: doeu.


Pois é, são algumas das dores da vida - morder a língua, arrancar um dente, tirar uma farpinha da mão, ralar o joelho, bater a cabeça, o parto normal, colocar no lugar o ombro deslocado, quebrar o nariz, desmaiar e cair de cara no chão, apanhar de cinto, torcicolo, dor de cabeça...blá blá blá. A lista é imensa, e ainda bem que não dá tempo de viver todas as dores possíveis, eu acho. Apesar da existência de tantas dores, no geral elas acabam. Seja por intervenção medicamentosa, ou por cirurgia, ou pelo colo da mãe...um dia elas terão fim. A ciência tá aí pra isso, evoluindo a ponto de, antes mesmo de "a cegonha vir", evitar o desenvolvimento de doenças pelo feto e evitando dores para a mãe.


Mas e as dores "subjetivas"? Dor pela perda de um ente querido, dor de um amor não correspondido, dor da traição, a dor da injustiça, da decepção, de ser corrigido, da saudade, a dor de ver um amigo mudar de cidade, de ver alguém que você ama sofrer, a dor de ser julgado injustamente, a dor de ver que seu problema é bem menor do que o do próximo e era você que estava reclamando, a de ser discriminado, a dor de saber que um dia você decepcionou alguém, ou feriu uma pessoa querida...


Não sei se é só pra mim, mas estas têm um impacto muito maior na minha vida do que aquelas. Nunca vivi todas, nem espero que as viva por inteiro, mas as que já me deparei pelo caminho me fizeram refletir e muitas vezes mudar meu comportamento.


Lembro que uma vez uma grande amiga falou que não queria mais jogar bola comigo, porque eu apelava, brigava com ela e virava uma chata. Doeu aquilo em mim, mas os argumentos dela, do tipo "eu só estou aqui pra brincar com você e você só reclama", me fizeram refletir muito e finalmente, além de pedir perdão, mudar de atitude. O impacto foi tão grande que lembro até hoje e vejo que essa mudança foi pra melhor. Uma dor gerou algo bom em mim.


Quando essa mesma amiga teve de mudar de cidade, doeu também. A dor da saudade, da falta do abraço, dos conselhos, das broncas, da paz que ela me dava.


E aquela dor de não superar as expectativas? De não passar naquela prova que você tanto estudou, ou de ver o tempo passar e perceber que você não construiu nada sólido pra viver o seu presente? Tensas.


Agora, pra mim, a dor de magoar alguém que eu gosto é SINISTRA! De ver que errei, não por maldade, porque ela não faz parte de mim, mas por pura burrice, inocência ou imprudência. Esse tipo de dor mexe com as minhas entranhas. Causa um repúdio a mim mesma, uma vontade de bater a cabeça na parede, de dormir 100 dias seguidos na esperança de a pessoa esquecer...e eu também. 


E olha que eu sou uma pessoa boa, eu sei disso. Só que às vezes, na esperança de concertar algo inconcertável para os outros, acabo metendo os pés pelas mãos, falando o que não devia, com quem estava expressamente proibida de conversar...


Acontece quando eu menos espero. Do nada, vem aquela piadinha sem graça que por algum motivo o meu cérebro não usou o filtro do bom senso e acabou deixando escapar...na verdade o próprio pensamento nem deveria ter existido, mas existiu e, o que é pior, foi externado.


Já era, a palavra dita não volta, assim como o peido nunca volta às origens. Comparação pobre, mas que ilustra bem a situação.


Desvalorizar quem tem valor é pobreza de alma, falta de sensibilidade, excesso de orgulho.


Mas como a otimista que sou, digo que pelo menos essas coisas ainda me machucam. Saber que fiz mal a alguém , que fiz alguém chorar, que traí a confiança de alguém estimado...é como levar uma apunhalada no peito. Dá pra sentir que dói.



quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A SAGA DAS COMPRAS




Minha mae viajaria por um mês e a dona da casa seria: EU (com consideráveis protestos do meu irmao, que queria ser o mandao e o que se apossaria do quarto dela, fato).

Mal incorporei o meu papel de mandona, ganhei um bloquinho de notas com os afazeres: contas a pagar/agendar, doaçoes a serem feitas, pagamento do jardineiro que viria dia 7, do piscineiro que recebe todo dia 13, as passagens da moça, entregues toda segunda feira... e as compras!!! Tudo dentro de um saquinho com a etiqueta: Dona Bonitinha (ela gostou do apelido!). Quando li, pensei: lascou! Mas td bem, vai ser divertido e tbm nem deve ser tao difícil fazer compras: é só pegar a listinha e se mandar pro supermercado! Aham.

Chegou o dia de deixar Dona Bonitinha no aeroporto! Eu já fui com a lista no bolso, passei no Carrefour CIDADE, perto da minha faculdade, depois das responsabilidades estudantis. Objetiva e prática, fui direto no que eu queria, sem olhar as promoçoes que PISCAVAM pra mim. E sem saber o preço justo das coisas, claro. Mas fui bem: usei menos de 1h e ainda lembrei de colocar o CPF na nota!

O primeiro problema surgiu no dia seguinte: Já tinha outra lista!!! COMO PODERIA?! Eu tinha certeza que comprara tudo (e mais um pouco)! Justificativa da moça: "Ah, sao só algumas coisas que eu esqueci de colocar na de ontem. Ok, td bem, fui à tarde no supermercado mais perto mesmo.

Espanto ao 4º dia de viagem da mae: OUTRA LISTA!! Como assim as compras nao duraram pra SEMPRE?! Nesse dia a D. Bonitinha ligou:
            - Oi filha, como andam as coisas?
            - Ah, mae, já paguei/agendei algumas contas. O problema é que as compras tomam muito tempo, hj já vou fazer a 3ª desde que a sra. viajou!
            - Naaao, filhinha, vc tem de se organizar e falar pra ela que só vai fazer compras em um dia da semana. [...]
Alguns minutos após, fui à cozinha:
            - Elza (nome da moça), meu dia de fazer compras é quarta feira. Se vira! Nada de lista todo dia, nao vai adiantar. (ok, isso só aumentava a lista).

Na quarta feira seguinte foi tudo tranquilo, tirando que o carrinho estava mais cheio e que eu esqueci de colocar o CPF na nota!

Já na outra quarta me dei ao luxo de levar uma amiga. Liguei, ela tava dormindo, e falei que tínhamos um programa de índio: fazer compras! Ela disse que adorava fazer compras, e no mais seria divertido para colocarmos o papo em dia. Resultado: conversamos muito, rimos horrores, pegamos TUDO da lista e gastamos menos de 40 minutos. Pensei: ótima companhia pras compras, prática e objetiva, que nem eu.

Na 3ª quarta feira eu não fiz compras. A geladeira foi esvaziando. Meu irmão reclamando. Ligou pra minha mãe(dele também) e disse que eu não dava comida pra ele, que ele ia morrer de fome. Haff, pra que tanto drama? Não tinha pão? Comesse fruta! Não queria fruta, fizesse pipoca!! Fui no supermercado ali do lado e comprei salgadinhos pra ele, que comeu em 1h e logo ficou com fome de novo! Eu não tava mais nem aí. Fizera minha parte.

Na última quarta sem a Dona Bonitinha, a moça lá de casa já tinha liberdades demais: ia embora mais cedo, dormia depois do almoço, enfim, essas coisas de gente que acha que não tem patrão (ou que eu seria incapaz de reclamar; fico com esta opçao). Mas a mais divertida de suas proezas foi colocar na famosa lista: “Veja Limpeza Pesada FRESCOR DE LIMPEZA”. Ah, VÁ!! Agooora até o veja tem de ter o cheirinho que ela quer?!Nao comprei, só de birra. Mentira, pq não tinha.

Pois bem, a Dona Bonitinha chegou numa segunda, a lista ainda estava em formação e ela soltou: “Na quarta qdo a gente for temos de lembrar de...” Que??? Como assim?? Eu consigo fazer compras sozinha! A casa sobreviveu um mês comigo no comando. Mas ÓBVIO que ela não mudaria de idéia. Depois analisei e pensei: ah...pode ser bom pra ela ver que eu sei comprar! E o supermercado já tinha se tornado meu amigo, era uma zona de conforto pra mim.

Na bendita quarta feira, antes mesmo de sairmos de casa ela soltou mais uma: vamos logo, pois ainda tenho de fazer isso, e aquilo, e vc aquilo outro...blá blá blá. Pronto, ela nem se esforçou muito e já conseguiu me irritar. Fui às compras refletindo como seriam. Chegando lá, começou: “Filha, pega um carrinho e uma cestinha que enquanto vc pega umas coisas eu pego outras.” Era pra ser sistemático, né, não fosse o fato de ela não saber onde tava UM produto sequer, e de ficar lendo todos os preços que estavam em laranjinha, e eu ter de dizer pra onde iríamos depois daquele corredor, e o porquê. Em 30 min de compras o carrinho lotou. Tive de pegar outro e, detalhe, a lista não estava nem metade cortada! Já estava na hora do almoçodetododia e quando constatei essa situação a barriga entendeu rapidinho: roncou.

Decidi que agilizaria o processo. Mostrei a seção das frutas, falei pra ela pegar as frutas e verduras necessárias que eu iria com a lista e o outro carrinho pra adiantar (o que era pra ter sido feito desde a cestinha, mas ela não sabia onde ficavam as coisas, ia ficar passeando tudo pra achar, gastaríamos mais tempo). Corri, pareci uma doida apressada, peguei tudo o que consegui e quando voltei ela ainda tava nas frutas, analisando preços, vendo promoções, etc. Terminei de pegar as frutas, fomos aos congelados. Aí ela me solta: “Ó, lembrar de pegar depois essas pizzas congeladas, estao na promoção!” “Mas mãe, pq não pegamos agora, estão na sua mao!” “Pq se não descongelam!” “Maezinha, por favor, se for assim sairemos daqui ao anoitecer. Pega agora pq a gente não vai voltar aqui não, não compensa!Sempre fiz isso e nunca tive problema” (eu acho que ela tava pensando que eu teria paciência pra mais 1h de compras. Aham.). Quando falei que tava sem paciência ela disse que pra compras não interessa paciência, elas têm de ser feitas.

Depois de mais algumas peripécias, tomamos o rumo do caixa. No caminho, uma idéia estatelou: Ah, não, achar o caixa mais vazio, esvaziar DOIS carrinhos (que eu nunca precisei nas minhas compras, um sempre bastou), empacotar as compras e volta-las pros DOIS carrinhos, que chegando no carro seriam esvaziados no porta-malas, que chegando em casa seria esvaziado para a cozinha, que receberia em seus armários as compras e em seus sacos, mais saquinhos. YES! Por que ainda não inventaram jeito mais prático de se fazer compras? Inventaram até robôs mas os saquinhos e carrinhos ainda existem. Ok, FOSSE SÓ ISSO, blz. Na hora de passar as compras, ela iria conferir os preços e eu empacotar. Mas ela disse que pra tirar do carrinho eu tinha de tirar primeiro os mais leves, depois os mais pesados. Discordei já sabendo que não adiantaria. Fiz do jeito dela. Lá pro meio, ela: “É, tinha de ser primeiro os mais pesados pra eles entrarem primeiro no carrinho. Tudo bem, usa um carrinho pros leves e o outro pros pesados.” Lá fui eu separar as comprinhas, dividi-las uniformemente pelo carrinho. Aquela parte em que ela decide por mim e tudo tem de ser do jeito dela, sabe? Tudo bem, não vou estressar... mais. No carro a nova ordem: eu te entrego e vc coloca no porta-malas. Em casa: pare o carro em cima. Na cozinha: coloca os de freezer pra lá. OK.

Resultado dessa última ida ao supermercado: a geladeira tava cheia e eu com preguiça de ir até ela.

Resultado geral de se fazer compras: Hoje o supermercado que eu conheço virou uma zona de conforto, e as promoções falam comigo e eu com elas. Posso até levar amigas, mas não a minha mãe.