terça-feira, 31 de maio de 2011

USE SOMEBODY



Atravessei a rua na hora errada. Veio você na contra-mão, só deu uma “esbarradinha”, mas girei 180 graus...ou seriam 360?

Estava fatigada, uma parte de mim queria o novo. A outra estampava o medo dele. De cabeça quente me atirei, o “quê” mais racional em mim pifou, foi tirado de tempo.

Quem diria que um tímido elogio, desprovido de pretensões, fizesse você estender sua cauda em leque, exibindo-a ao mais distraído ser.

Você, taxado por todos, não se importa com a opinião alheia. Vive a vida no seu remelexo, cadenciando as sensações. Perceber que o que há de mais poético em mim foi despertado, aguça o desejo.

A ponta de poliglota, o suspiro de quem escuta Chico. Seu ar de contador de histórias, criticando opiniões manifestadas por cabeças vazias, buscando um instrumento capaz de fazer a massa cinzenta “pegar no tranco”, encanta. A inteligência é afrodisíaca. Bom português é o mínimo que se espera de uma pessoa estudada.

Carrega as marcas de uma vida, o colo de um rosto adormecido. Carimba no lar resquícios de sensações experimentadas, que não devem ser esquecidas. Não posso ouvir sobre a Espanha, paparazzis e conhecer famosos, sem captar o riso frouxo. E não consigo me afastar sem descobrir mais de você, o que de mais profundo tem guardado, o que te move, o que te enche de alegria.

Como diz a música, “Pavão misterioso, pássaro formoso, tudo é mistério, nesse teu voar...ai, se eu corresse assim, tantos céus assim, muita história eu tinha pra contar...” Curiosidade do dia: o pavão precisa correr uma determinada distância, sendo que seu vôo é muito desajeitado e ruidoso.

Eu te quis, e tive, ainda que temporariamente. Te levei pra ver o mar, a lua piscou. Botei os outros de cabelo em pé, junto com você. Me vi de cabelos em pé. Me distraía a cada olhar, não disfarçava nem pros de passagem.

Não digo que é amor, mas um encanto sedutor.

Contra-regra. Contra a regra.

Talvez superestimado. Talvez subestimado. Tento arrancar o que de mais culto há em mim, pra quê? Não sei porque essa minha tentativa de trabalhar as palavras...pra quê tanto dizer? Se não sei o que quero, devo me calar?

Você tem de aprender a dizer não...quiçá eu não seja a primeira lição.

Como pode uma pessoa mediana se atrair por extremos? Como pode existirem dois extremos e ainda um equilíbrio?

Domar certos impulsos ainda agüento, mas não o de falar-lhe, de soltar a mesma trilha sonora, de imaginar possíveis formas de conquista...

O mundo diz não, não, não...não somos extremos que se completam, e sim que se repelem...mas não é isso que queremos enxergar...

Na tentativa de dizer que de alguma forma tem um pouco de você em mim, que poderia existir mais, que preciso da garantia de que o “se permitir” poderia durar uma semana, ou um ano, mas que ainda assim valeria à pena...obtive êxito?

A loucura do “não era pra ser” mas “poderia dar certo” me assola. Abrir mão, lançar mão...eita contradição angustiante. Mas o seu andar desajeitado...a reciprocidade daqueles segundos de troca de olhares...

Deus escreveu a sua história...e nela os humanos aparecem...não para fazer mal...mas pra acrescentar...se ainda não acrescentei...não sou humana? Devo me humanizar? O risco é calculável?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

BêBêBê

Crônica de Luiz Fernando Veríssimo sobre o "BBB" 

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil, encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 11 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 11 é a realidade em busca do IBOPE..

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 11. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os “animais” do “zoológico”: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a “não sou piranha mas não sou santa”, o modelo Mr. Maringá, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça,  fez jornalismo de alto padrão como correspondente da mesma Globo ao longo de 10 anos na Europa, culminando com belíssima reportagem sobre a queda do “Muro de Berlim”, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.


Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? 



São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados.
 Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína, Zilda Arns).

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
   E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderia
m ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. 

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorarassistir aos programas deesporte, ou simplesmente dormir.
 
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construíd
a nossa sociedade.