terça-feira, 19 de outubro de 2010
Aconteceu...
Eu nem tava animada. A última sexta-feira falira. Tivera tudo pra ser boa, mas falira. Portanto, abri os olhos pra sexta seguinte sem grandes expectativas. Apenas acordei.
Decidi que o samba que rolaria logo mais a noite me faria bem. Quem iria? Não sabia, já que quase todos os meus amigos da sexta-feira estavam viajando. Mas não me importava. Samba é samba, traz alegria em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Nem fui pra aula da manhã. Por que mesmo? Provavelmente bebera no dia anterior, e dormira tarde. Ah, claro, a sinuca-nossa-de-cada-dia.
A tarde se mostrou improdutiva. Nem a academia teve o ar da minha graça. Atrasei pra aula da noite, que acabou mais cedo, e permitiu que eu chegasse 1h30min antes no lugar que já se tornara uma zona de conforto. Todas as mesas de dentro reservadas. Okay, sento em uma fora que dê pra ver a banda. 22h os amigos chegaram. 22h30 eles fecham a porta do salão. QUÊ???????? Precisavam do alvará pra cantarem de portas abertas. Conversei com o Produtor: "Como assim, Gerson? Cheguei quase 2h antes e não verei e nem ouvirei o show?! Não pode ser verdade. Deveriam ter avisado." Voltei para a mesa, a cabeça já rodando em mil pensamentos, dentre eles: "Mais uma sexta-feira falida? Deve ser um sinal! Será que são as covinhas que fazem sucesso com Murphy? Pq ele ME ADORA, CERTEZA!"
Liguei para o amigo que viria ao meu encontro: "Nem vem...eles fecham as portas, não dá pra sambar".
Ele: "To quase saindo de casa, daqui a pouco saia daí e me encontre em tal lugar".
...
No sábado, acordei triste. Apesar da noite ter sido legal por um lado, o do menino, não valeu a pena. E pra piorar, meu amigo me ignorava nas redes sociais. E no telefone.
Liguei pros meus amigos de sexta, que não estiveram presentes no dia fatídico, só pra dizer: estamos ricos!Passei! Só falta torcer pra ser chamada logo! Fizeram quase um clamor pra eu viajar pra onde eles estavam. Deu a louca, arrumei as coisas e fui. Adoro "aventuras", fazer o que der na telha, sem nada programar.
Ainda tinham me arranjado uma boa companhia, que acrescida de uma boa música, tornaria o meu prazer de dirigir quase que indescritível.
Cheguei lá, ninguém acreditando que eu, de fato, fora. Fizeram festa. Animaram-se para o show que viria em seguida. A cidade histórica estava cheia, pessoas de todos os tipos e cantos. Era o festival da primavera, que agitava a cidade todos os anos. Em meio a ansiedade, finalmente cantamos sobre as feiticeiras, que nem sempre sao corcundas, e as brasileiras que não são só bunda, sobre a catedral, sobre a alma, a cápsula alma, da superfície, easy...tudo enquanto esperávamos a chuva cair nas nossas costas largas...esperando descobrir em 24h o que vc mais gosta...e provavelmente entendendo que não saberíamos chegar até o final do dia sem você...
Voltamos pra casa, comentando que a chuva só fez nos empolgar, que o show tinha sido irado, e eu pensando o tanto que valera a pena sair do meu conforto pra estar lá, naquele momento, com aquelas pessoas.
Dia seguinte, trabalhos iniciados logo cedo. Arrumei a cozinha, pois estava me deixando nervosa até. Peguei o violão. Cantei que um dia eu vou estar à toa e vc vai estar na mira...Nada mais. Não havia perdido a timidez o suficiente...
Me puseram pra fazer a pasta de alho. Fui pra varanda, descascar o alho, e observar o movimento das pessoas, suas palavras, atitudes. Impressionante que dá pra notar que têm pessoas que sabem viver em comunidade e outras não. Elimino da minha "lista de convidados pra viajar" quem não levantou um dedinho pra ajudar, e nem sequer ofereceu a ajuda.
Pasta de alho pronta, pus todo mundo pra experimentar. Aprovada. Mal sabíamos que o bafo poderia durar a semana toda...rs.
Cantamos mais, colocamos o mantra da viagem pra tocar bem alto: "Alors on danse". Todo mundo animado.
Chega a hora de vir embora. Saí mais cedo que todo mundo, porque voltaria sozinha, e queria a estrada de dia.
Que fantástico é dirigir sozinha. O vento entrelaçando, quase que para sempre, meus cabelos. A música alta, e minha voz mais ainda. O cérebro não parava de pensar um segundo sequer. Pensava desde o telefonema esquisito que dei à tarde, até o que eu queria pra minha vida no ano seguinte. Apreciando belas paisagens, sentindo o gostinho da independência. Que momentos...quero muito mais disso nos meus dias de passagem por esta Terra...
Voltei com outra energia, apesar de a realidade dos problemas, que não são "fugíveis", bater à porta novamente.
Okay. A vida continua. Meu amigo ainda não fala comigo. Mas todo relacionamento tem sua estremecida. Não desmoronando, tudo bem. A academia não me viu de novo. Por falta de tempo. O "submarino" não piscou.
Mas, quem dera esses fossem os maiores problemas a serem enfrentados. Novas energias, novas estratégias, novos sonhos, novas idéias twittáveis, ou tatuáveis, vieram.
E que venha a vida, trazendo o novo e o belo pra vida de todos. E amor, muito amor, há muito esquecido.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Ela e suas verdades...
"Sou agradável, tenho amizades sinceras, e ter consciência disso faz com que eu tenha por mim uma amizade aprazível, o que nunca excluiu um certo sentimento irônico por mim mesma, embora sem perseguiçoes...
[...] A covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la...
[...] Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação...
[...] Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo?"
Tive de me perder pra me achar...e a cada dia tenho de me reinventar pra ser...
"É difícil perder-se. É tão difícil que arranjarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo...
[...]perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando...
[...] Todo momento de achar é um perder a si próprio...
[...] Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria...
[...] Essa coisa sobrenatural que é viver...
[...] Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade...
[...] Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem...
[...] Eu poderia relatar a mim mesma o que me lisonjeasse, e também fazer o relato da sordidez...Quanto mais sincera eu fosse, mais seria levada a me lisonjear tanto com as ocasionais nobrezas como sobretudo com a ocasional sordidez. A sinceridade só não me levaria a me vangloriar da mesquinhez. Essa eu omito, e não só por falta do autoperdão, eu que me perdoei tudo o que foi grave e maior em mim...
[...] Não, acho que estou precisando de olhar sem que a cor de meus olhos importe, preciso ficar isenta de mim pra ver...Eu vivia mais dentro de um espelho...
[...] Eu não precisava do clímax ou da revolução ou de mais do que o pré-amor, que é tão mais feliz que o amor. A promessa me bastava? Uma promessa me bastava...Sempre pareci preferir a paródia, ela me servia.
[...] Quanto a mmim mesma, sempre conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim. De algum modo "como se não fosse eu" era mais amplo do que se fosse - uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava como uma invenção...
[...] Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um homem: mulher que sorri e ri. Respeito o prazer alheio, e delicadamente eu como o meu prazer, o tédio me alimenta e delicadamente ele me come, o doce tédio de uma lua de mel.
Essa imagem de mim entre aspas me satisfazia, e não apenas superficialmente. Eu era a imagem do que eu não era...Detalhadamente não sendo, eu me provava que - que eu era."
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Infância - Parte 1
Eis um tema que me encanta.
Depois de velha (não vou aqui adentrar no conceito; entenda apenas como “saí da adolescência”) passei a valorizar a infância que tive. Quando eu era criança ficava dooooida pra ser adulta. Hoje, quando me deparo com um “problema de gente grande”, quase que instantaneamente lembro da facilidade que era ser criança.
Tive uma infância saudável. Quando ainda morava em apartamento, descia muito pra brincar embaixo do prédio, no parquinho ou na construção da igreja logo em frente. Aos 6 anos fui morar quase que no paraíso das crianças: uma casa, num condomínio fechado. Se bem que não tão fechado porque direto passavam vacas pelo terreno, vindas da fazendinha do lado. O que interessava é que já tinha meu “habitat”: uma piscina, o parquinho do condomínio, vários terrenos baldios e crianças da minha idade.
Dia desses, fui chupar uma manga e fiquei com uma preguiça de descascar, lambrecar a mão, cortar os pedaços, limpar a mão... e lembrei como era fácil quando criança chupar uma manga: ou eu subia no pé, arrancava uma, rasgava a casca com o dente, chupava com gosto, lambrecava a mão e o rosto todo, jogava o caroço pra baixo e descia da árvore feliz e contente. Ou então, minha mãe comprava uma no mercado, descascava e cortava pra mim. Simples assim.
Nossa, era super fácil viver nessa época. Minha vida se resumia em casa-escola. E era um barato ir pra escola! Eu fazia todos os deveres e não faltava um dia sequer. Hoje...bom...não preciso falar nada a respeito de faculdade. Um saco.
Resolvi, então, soltar umas palavrinhas a respeito dessas diferenças.
PREOCUPAÇOES
Quando criança, minhas grandes preocupações eram:
-A minha lancheira é a da moda (aquela da Barbie, em forma de coração, rosa chock)?
-O que será que tem de lanche hoje?
-Será que hoje finalmente vai ser queimada na aula de Ed. Física?
-Será que a Paula, minha então melhor amiga, vai hoje?
-Será que o Davi, o bonitinho da sala, vai falar comigo?
-Será que quando eu chegar em casa vou fazer meus deveres bem rápido e poder ir brincar com a Polly, a vizinha?
Ou entao eram:
"Esta cara...
está boa pra quando a mamae chegar e ver isso...
???????"
Hoje em dia:
-Será que as pessoas vão reparar que minha roupa está mal passada?
-Será que vou ter tempo de almoçar?
-Será o professor de Cálculo vai dar prova surpresa?
-Tomara que a chata da contabilidade se esqueça de me cobrar o relatório!
-Espero que o chefe fique doente uma semana pra eu ter paz por aqui!
-Tomara o Carlos não venha me amolar com aquele papo “Nossa, vc está radiante hoje!”
-Será que quando eu chegar em casa a louça vai ter desaparecido da pia?
Enfim, as preocupações mudaram, mesmo.
RESTRIÇOES
Quando criança, as restrições de Dona Bonitinha eram:
- Primeiro o dever, depois a brincadeira. Okay, primeiro lição de casa e depois: RUA!
- Não coma de boca aberta.
- Não saia de casa descalça.
Hoje, restrições naturais da vida, ou das mães:
- Primeiro um dia de ralação no trabalho, depois o happy hour.
- Não coma muito, as pessoas falam.
- Não saia com essa roupa.
PROFISSOES
Não existia esse tipo de preocupação, quando criança. Depois que eu aprendi na revistinha da Turma Da Mônica que quando me fizessem a, até então BENDITA, pergunta “O que vc quer ser quando crescer” eu podia responder: “Grande!”, tudo ficou melhor ainda. Nem era preciso falar nos sonhos de ser policial, médica, ginasta, chiquitita...
Depois de “grande”, tive de me descabelar pra descobrir que curso faria. Li a respeito de todos os cursos, de Administração a Zoologia. Quando tive de afunilar para três, escolhi 1 de cada área. Dia desses até brinquei de fazer um teste vocacional, que me disse: “Você tem tendência a seguir as carreiras empreendedoras e as profissões dos grupos A, C, D, E e F.” Ah, valeu, só faltou a B, é isso?
Continua...
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