terça-feira, 7 de setembro de 2010

Algumas dores da vida









Sabe quando você corre a casa inteira pra atender o telefone e dá aquela topada no pé da mesa? Ou então quando bate o cotovelo e dá aquele choque? Nossa, prender o dedo na porta do carro? Vários nomes passam pela cabeça, alguns acabam saindo, outros não. O importante é a constatação: doeu.


Pois é, são algumas das dores da vida - morder a língua, arrancar um dente, tirar uma farpinha da mão, ralar o joelho, bater a cabeça, o parto normal, colocar no lugar o ombro deslocado, quebrar o nariz, desmaiar e cair de cara no chão, apanhar de cinto, torcicolo, dor de cabeça...blá blá blá. A lista é imensa, e ainda bem que não dá tempo de viver todas as dores possíveis, eu acho. Apesar da existência de tantas dores, no geral elas acabam. Seja por intervenção medicamentosa, ou por cirurgia, ou pelo colo da mãe...um dia elas terão fim. A ciência tá aí pra isso, evoluindo a ponto de, antes mesmo de "a cegonha vir", evitar o desenvolvimento de doenças pelo feto e evitando dores para a mãe.


Mas e as dores "subjetivas"? Dor pela perda de um ente querido, dor de um amor não correspondido, dor da traição, a dor da injustiça, da decepção, de ser corrigido, da saudade, a dor de ver um amigo mudar de cidade, de ver alguém que você ama sofrer, a dor de ser julgado injustamente, a dor de ver que seu problema é bem menor do que o do próximo e era você que estava reclamando, a de ser discriminado, a dor de saber que um dia você decepcionou alguém, ou feriu uma pessoa querida...


Não sei se é só pra mim, mas estas têm um impacto muito maior na minha vida do que aquelas. Nunca vivi todas, nem espero que as viva por inteiro, mas as que já me deparei pelo caminho me fizeram refletir e muitas vezes mudar meu comportamento.


Lembro que uma vez uma grande amiga falou que não queria mais jogar bola comigo, porque eu apelava, brigava com ela e virava uma chata. Doeu aquilo em mim, mas os argumentos dela, do tipo "eu só estou aqui pra brincar com você e você só reclama", me fizeram refletir muito e finalmente, além de pedir perdão, mudar de atitude. O impacto foi tão grande que lembro até hoje e vejo que essa mudança foi pra melhor. Uma dor gerou algo bom em mim.


Quando essa mesma amiga teve de mudar de cidade, doeu também. A dor da saudade, da falta do abraço, dos conselhos, das broncas, da paz que ela me dava.


E aquela dor de não superar as expectativas? De não passar naquela prova que você tanto estudou, ou de ver o tempo passar e perceber que você não construiu nada sólido pra viver o seu presente? Tensas.


Agora, pra mim, a dor de magoar alguém que eu gosto é SINISTRA! De ver que errei, não por maldade, porque ela não faz parte de mim, mas por pura burrice, inocência ou imprudência. Esse tipo de dor mexe com as minhas entranhas. Causa um repúdio a mim mesma, uma vontade de bater a cabeça na parede, de dormir 100 dias seguidos na esperança de a pessoa esquecer...e eu também. 


E olha que eu sou uma pessoa boa, eu sei disso. Só que às vezes, na esperança de concertar algo inconcertável para os outros, acabo metendo os pés pelas mãos, falando o que não devia, com quem estava expressamente proibida de conversar...


Acontece quando eu menos espero. Do nada, vem aquela piadinha sem graça que por algum motivo o meu cérebro não usou o filtro do bom senso e acabou deixando escapar...na verdade o próprio pensamento nem deveria ter existido, mas existiu e, o que é pior, foi externado.


Já era, a palavra dita não volta, assim como o peido nunca volta às origens. Comparação pobre, mas que ilustra bem a situação.


Desvalorizar quem tem valor é pobreza de alma, falta de sensibilidade, excesso de orgulho.


Mas como a otimista que sou, digo que pelo menos essas coisas ainda me machucam. Saber que fiz mal a alguém , que fiz alguém chorar, que traí a confiança de alguém estimado...é como levar uma apunhalada no peito. Dá pra sentir que dói.



2 comentários:

  1. Vc sabe que é o prefácio do meu livro... Escreve com alma e tem "Alma Negra" que só as pessoas incríveis poderiam ter... te adoro, trem ruim! kkkk

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