"Sou agradável, tenho amizades sinceras, e ter consciência disso faz com que eu tenha por mim uma amizade aprazível, o que nunca excluiu um certo sentimento irônico por mim mesma, embora sem perseguiçoes...
[...] A covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la...
[...] Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação...
[...] Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo?"
Tive de me perder pra me achar...e a cada dia tenho de me reinventar pra ser...
"É difícil perder-se. É tão difícil que arranjarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo...
[...]perder-se significa ir achando e nem saber o que fazer do que se for achando...
[...] Todo momento de achar é um perder a si próprio...
[...] Estou tão assustada que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém me está dando a mão.
Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria...
[...] Essa coisa sobrenatural que é viver...
[...] Vou criar o que me aconteceu. Só porque viver não é relatável. Viver não é vivível. Terei que criar sobre a vida. E sem mentir. Criar sim, mentir não. Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade...
[...] Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem...
[...] Eu poderia relatar a mim mesma o que me lisonjeasse, e também fazer o relato da sordidez...Quanto mais sincera eu fosse, mais seria levada a me lisonjear tanto com as ocasionais nobrezas como sobretudo com a ocasional sordidez. A sinceridade só não me levaria a me vangloriar da mesquinhez. Essa eu omito, e não só por falta do autoperdão, eu que me perdoei tudo o que foi grave e maior em mim...
[...] Não, acho que estou precisando de olhar sem que a cor de meus olhos importe, preciso ficar isenta de mim pra ver...Eu vivia mais dentro de um espelho...
[...] Eu não precisava do clímax ou da revolução ou de mais do que o pré-amor, que é tão mais feliz que o amor. A promessa me bastava? Uma promessa me bastava...Sempre pareci preferir a paródia, ela me servia.
[...] Quanto a mmim mesma, sempre conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim. De algum modo "como se não fosse eu" era mais amplo do que se fosse - uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava como uma invenção...
[...] Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um homem: mulher que sorri e ri. Respeito o prazer alheio, e delicadamente eu como o meu prazer, o tédio me alimenta e delicadamente ele me come, o doce tédio de uma lua de mel.
Essa imagem de mim entre aspas me satisfazia, e não apenas superficialmente. Eu era a imagem do que eu não era...Detalhadamente não sendo, eu me provava que - que eu era."


Adoro me perder, depois me achar, mesmo que para isso tenha que enfrentar minhas verdades... verdades essas que tento reinventar.
ResponderExcluirSim, eu me assumo, me assumo do meu jeito, do jeito que meu humor manda. Às vezes me assumo criança, às vezes mulher madura... ora sapeca, ora muleca... ora preocupada, ora de pernas p/ ar...
Quão bela é a vida, sim, essa vida, que nos permite nos reiventar! E, diante de cada situação, ser o personagem que criamos, e assim vivemos, assim seguimos a vida, cada dia um personagem de nós mesmos...
Adoro Clarisse!
Que bom que gosta!
ResponderExcluirEla é sensacional, pra mim. Ela diz e desdiz as coisas, ela fala das coisas simples de forma "prolixa" no bom sentido, ela floreia as verdades e ao mesmo tempo as diz de forma bruta e direta.
Enfim, ela brinca com as palavras, com os sentimentos...ela me chega à alma!
Também gosto de me perder, mas só pela vontade que fica de me achar! E mesmo me achando me reinvento todo dia...para ser!
E a vida é bela! Vivamos o personagem-de-cada-dia!
Obrigada pela visita!
Adoro as verdades de quem entendeu que não se fala verdades o tempo todo, mas sentir essas verdades é o único mal, de que nenhum de nós escapará jamais! ... boa noite, Mira...
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ResponderExcluirRealmente, sabemos que a verdade é a verdade, não escaparemos de sentí-la. E não é esse o único caminho?
ResponderExcluirConcordo com Capisce, se não pudermos ao menos sentí-la, nos perderemos entre o real e o imaginário...