sexta-feira, 19 de junho de 2015

Amor platônico



Abismada com a definição aureliana de “amor platônico”: sentimento de amor isento de desejo sexual.


Não que só exista amor com desejo sexual, mas é que passei a adolescência acreditando que amor platônico era apenas um amor impossível de ser recíproco, por qualquer motivo que fosse. Na verdade até na vida adulta penso que é isso mesmo, mas agora com desejo sexual, dantes “inexistente”.

 

Difícil de ser aceito por quem o tem, esse sentimento carrega o drama shakespeariano de não (poder) ser correspondido, ao mesmo tempo em que carrega as borboletas no estômago que impulsionam a fazer coisas novas, tentar aventuras diferentes, ou simplesmente iniciar uma dieta mirabolante, no meu caso.

 

Incrível existir um sentimento que consiga mover um ser tão racional quanto uma pessoa do signo de touro-teimoso-cabeça-dura.


Mas acontece. E na hora que menos se espera. Com quem nunca se imaginou.


Nada estava sendo procurado. Mas foi achado.


Achado num sorriso bobo, numa cara séria e sem paciência, na sensualidade da dança. 


O resto vem de brinde, e que brinde: o corpo, o riso frouxo, o espírito de criança aventureira, os “ticks” de comemoração, o cheiro.


No superficial conhecimento, ainda fica a pulga atrás da orelha: como é a mulher por trás de tanto riso frouxo? 


A mistura da entrega a uma música boa, com a seriedade diante de uma pessoa “sem noção”, adicionada da pitada de sensualidade ideal, tira meus pés do chão. 


Me faz voar longe imaginando estar do lado e apoiar a mãe-pai, a mulher que cozinha/trabalha/estuda/curte a vida/dança/comemora feito criança.


Me faz querer voltar a tocar violão, voltar a escrever, ler, pintar, dançar, fazer dieta, morar sozinha (com ela), jogar bola, estudar novas possibilidades profissionais, fazer viagens, entender do assunto-de-criança-do-momento pra ter papo com os filhos.

 

Incrível como o touro-brutamontes-empacado se move numa facilidade...basta encontrar a toalha vermelha nos braços do amor platônico.

Aí, que se dane Shakespeare e o veneno do amor impossível...

Quero mais é que o amor platônico fique...pelo menos até eu terminar minha dieta! 

Depois, quem sabe, deixa de ser platônico?

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